Debate sobre mídia e poder reúne profissionais na Uniuv

Repórter: Rodrigo Reis – acadêmico do 6º semestre de Jornalismo Uniuv

Jornalistas, publicitário e doutor em literatura apresentam seus conceitos e suas opiniões sobre os meios de comunicação

 mídia e poder

A mesa redonda que aconteceu no dia 31 de outubro, no auditório da Uniuv, trouxe como tema de discussão a “Mídia e Poder”. O debate foi promovido pela jornalista, professora e mestre em comunicação e linguagens, Angela Farah, e trouxe para uma conversa aberta os professores, Lúcio Kurten dos Passos, fotógrafo, jornalista e mestre em comunicação e linguagens, Caio Ricardo Bona Moreira, doutor em literatura e Samon Noyama, publicitário e mestre em filosofia.

Angela Farah, que abriu o debate, citou as datas mais importantes sobre a criação das principais mídias, exemplo a TV, e sobre os trâmites que estão acontecendo para o reconhecimento oficial do diploma de jornalismo. Angela lembrou também da lei de impressa que entra em vigor na Argentina, como forma do governo controlar seus meios de comunicação. A Lei de Mídia da Argentina foi votada e promulgada em 2009 e tem gerado polêmica por sua intenção de limitar o número de licenças de audiovisual dos diferentes grupos de mídias, como o Clarín. A data limite para que esses grupos se adequem de forma voluntária é sete de dezembro de 2012. Caso isso não aconteça, o governo ameaça caçar essas licenças. A lei regulamenta a utilização do espectro audiovisual, mas não estabelece um marco regulatório para o conteúdo, publicou o portal Infobae.

 

Caio Bona vê no debate a importância de se discutir como a mídia e o poder têm ligações fortes e conseguem muitas coisas na sociedade. Bona cita como exemplo o caso do jornalista Crispim Mira, mártir da liberdade da imprensa no Brasil. Vítima de uma tentativa de retaliação, em 1927, na cidade de Florianópolis, Mira foi agredido e baleado em seu próprio jornal, diante do seu filho de 14 anos. Morreu dias depois no Hospital da Caridade, centro da capital catarinense. Sua história é oculta e pouco se sabe dele. Mira buscava em seu jornal a liberdade de imprensa e sofreu represália por isso.  Bona também cita a importância da literatura como um forte recurso que pode ser usado de forma a recontar os fatos, coisas que talvez a imprensa não possa trabalhar mais aprofundada.

 

Para Samon Noyama, é fundamental discutir como estamos entendendo a forma de liberdade de imprensa. Cita o exemplo da Revolução Francesa que levantou a ideia de liberdade, mas ficou totalmente avessa ao que planejava.   A Revolução Francesa foi o nome dado ao conjunto de acontecimentos que, entre 5 de maio de 1789 e 9 de novembro de 1799, alteraram o quadro político e social da França. Segundo Noyama, essa ideia de liberdade trouxe alguns problemas, muitos não entenderam o principal objetivo das lutas e do discurso proferido da liberdade. Defendiam valores de falar o que pensam. De acordo com Noyama nós fazemos parte do mundo e interferimos muito nele, cada um a sua maneira. Por ser publicitário formado, Noyama apresentou a relação entre os profissionais das mídias no mercado de trabalho, onde o jornalista busca em seu dia a dia revelar o que há de verdade nos fatos do mundo e o publicitário procura sempre a melhor forma de promover e vender seus anúncios e produtos.

 

Lúcio Kurten dos Passos traz em sua abordagem o poder da imagem nas mídias e cita como exemplo a história do rei Luís 14, que gerou a autoidolatria, se autopromovendo.  Luís 14 de Bourbon conhecido como “Rei-Sol”, foi o um monarca absolutista da França, reinando de 1643 a 1715. A ele é atribuída a famosa frase: “L’État c’est moi” (em português: O Estado sou eu), apesar de grande parte dos historiadores achar que isso é apenas um mito. Passos faz uma relação entre a história de Luís 14 e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que fez a promoção de sua imagem para conquistar a nação e enfim chegar à presidência. Segundo Passos, os profissionais comunicadores são os intermediadores entre o real e o irreal e considera a era em que nos encontramos como a era das imagens, isso desde o século 20. Relatou também o aumento incalculável das imagens publicadas, permitido pelas novas tecnologias existentes no mundo hoje.

 

One thought on “Debate sobre mídia e poder reúne profissionais na Uniuv

  1. O evento foi muito bacana, com a discussão dos temas, e também da opinião de pessoas de fora da instituição.

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