Pingue-pongue com Jair Nunes (Piloto): editor da Gazeta Regional, de União da Vitória

Texto e foto: Roberta Brusque  – acadêmica do 6º semestre de Jornalismo

Jair Nunes, vulgo Piloto, tem 33 anos e é formado em Jornalismo pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv). É editor e proprietário do jornal semanal Gazeta Regional, que completará oito anos em outubro deste ano. Na entrevista abaixo, Piloto fala um pouco sobre sua iniciativa de montar o jornal e também sobre os pontos positivos e negativos de ser um empreendedor na área, em União da Vitória.
 
RB: Como surgiu a iniciativa de montar o jornal?
JN: Na verdade não foi uma ideia e sim a necessidade de abrir as portas do jornalismo local. Os dois principais órgãos de comunicação, na época, estavam nas mãos de duas famílias e não havia espaço nem liberdade para a prática do jornalismo profissional, sem atrelamentos políticos e econômicos.
 
RB: Os ideais que você tinha antes de montar o jornal continuam os mesmos?
JN: No sentido de levar a informação sem ser afetado pela necessidade atrelamentos, sim. O problema é que a carteira de clientes de um jornal independente não é suficiente para sustentar a empresa e as despesas do jornal. Fatalmente todo mundo acaba caindo na “verba oficial”, seja qual for o tamanho e o alcance do órgão (jornal, revista, rádio ou TV). A briga é outra: provar que propaganda institucional é uma coisa. Release é outra. E que colocar a institucional e mesmo assim escrever a verdade, com isenção, é possível. É bom que se diga que neste país, publicidade institucional é sinônimo de “cala boca”. Então a luta agora é outra. Ser merecedor como veículo de informação de propaganda institucional, sem perder o direito à informação.
 
RB: Você usa algum critério para escolher as pautas? Qual?
JN: Como o jornal é um meio de comunicação típico de interior, a pauta é escolhida pela importância do assunto e ou repercussão na sociedade. Por exemplo: matéria policial ou política de interesse da população. Você deve perguntar: que matéria política é interessante? Digo uma que está na pauta: A união entre Fafiuv e Uniuv e a proposta de estadualizar a Uniuv e a criação da Universidade Estadual de União da Vitória.
 
RB: Quais são os pontos positivos e negativos de ter o próprio jornal em União da Vitória?
JN: Positivo com certeza é a liberdade em relação a outros meios. Trabalhar como funcionário ou ser o editor do próprio jornal tem uma diferença enorme. O que poderia ser considerado negativo é que muitas vezes seus ideais se confundem com o fazer jornalismo. Já me peguei perseguindo políticos, tentando impor minhas ideias. É preciso ter humildade de parar com tudo e recomeçar. É um processo dolorido, mas que tem de ser feito constantemente.
 
RB: Você produz sozinho todo conteúdo do jornal?
JN: Não, ninguém consegue fazer isso. Ou o jornal vira uma cartilha. Tenho 12 colaboradores e dois funcionários diretos responsáveis pelo recebimento de matérias e diagramação, além das assessorias das prefeituras, câmaras de vereadores, agências de notícias (uma em Curitiba e outra em Florianópolis), colunistas. As reportagens locais são feitas por mim, que também sou responsável pelas editorias política e policial.
 
RB: Como você definiu que o jornal seria semanal?
JN: Não defini. Primeiro foi a condição econômica. A região não comporta um jornal diário. Aliás, não existe jornal diário em União da Vitória e Porto União. O Comércio e O Iguassu circulam de terça a sábado. O jornal semanário condensa os acontecimentos da semana e mais o que vai acontecer durante o fim de semana. E ainda as reportagens podem ser um pouco mais detalhadas, sem o imediatismo de um jornal diário.
 
RB: Quais municípios o jornal abrange (cobertura / circulação)?
JN: A circulação principal é União da Vitória e Porto União. Mas também circula em Paula Freitas, Paulo Frontin, Porto Vitória, Bituruna e General Carneiro. No sul do Paraná e Matos Costa e Irineópolis, em Santa Catarina.
 
RB: Há espaços para freelas?
JN: Há espaço para freelancers, colaboradores e colunistas. É um bom recurso já que a empresa é considerada pequena e não tem recursos para contratar efetivamente jornalistas.
 
RB: Como jornalista e empreendedor, quais são os seus planos para o futuro com a Gazeta Regional?
JN: A convergência de mídias. Primeiro o lançamento do Portal Gazeta Regional na internet. Conseguimos ser a home de entrada de dois provedores da região. O trabalho está em fase de montagem do portal. Estamos comprando um serviço de envio de notícias ou chamadas via celular chamando para nossa página. O serviço entrará em funcionamento logo após a inauguração do portal. E o aumento do número de páginas da edição impressa de 12 para 16 páginas com a capa e contracapa em quatro cores.
 
RB: Antes de montar o jornal você já trabalhava na área? Onde?
JN: Eu nasci dentro de uma rádio praticamente. Iniciei com 13 anos como sonoplasta da Rádio Educadora, depois tive duas passagens pela Rádio Colméia como sonoplasta e repórter esportivo. Mas minha casa é a Rádio União onde em 1992 iniciei como repórter policial com o âncora Airton Maltauro Filho. Fiquei no jornalismo por 17 anos e saí para montar meu próprio jornal e terminar a faculdade de Jornalismo na Uniuv. Também fui locutor e repórter na FM Verde Vale (FM 94) por sete anos. Fui colunista policial dos jornais Caiçara e O Comércio e passei pelo Jornal A Cidade. E ainda trabalhei na TOP FM com o DJ Sérgio Roberto, onde fazíamos um programa de jornalismo e humor.

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